"Ao assistir um webinar, uma luz se acendeu: O caminho está nos jogos!"

“Ao assistir um webinar, uma luz se acendeu: O caminho está nos jogos!”

Confira entrevista feita com Renato Alves, nosso aluno de Design de Games que recentemente decidiu investir na área de games e criou um servidor exclusivo para os alunos!

Renato Alves, 32 anos, é artista cênico, possui mais de seis anos de experiência em gestão de equipes criativas e recentemente decidiu mudar de carreira e investir na área de games, saindo dos palcos para as telas. Ele iniciou o curso “Design de Games do Zero ao PRO” conosco e após perceber que a comunicação nessa área seria mais eficiente no Discord, resolveu criar um servidor exclusivo para alunos e foi surpreendido com a repercussão mais do que positiva! Confira a entrevista feita com ele:

1) Em que momento surgiu a ideia de criar um bate-papo no Discord e como você se sentiu com a repercussão positiva?

Eu comecei o curso de Design de Games bem no seu início, quando tinha apenas a primeira aula disponível e usávamos o espaço de discussões da própria plataforma das videoaulas.

Em pouco tempo, percebi que as dúvidas e materiais de referência que os professores enviavam se misturavam e com a entrada de novos alunos ficaria cada vez mais difícil acompanhar as questões de cada módulo.

Foi nessa dificuldade que o Discord se mostrou uma ferramenta excelente para ampliar também o engajamento das pessoas entre si. Criei o servidor e contei com a ajuda do Lucas Sassanovicz para as primeiras organizações dos canais. 

Ao criar o servidor de alunos, separei um canal para cada módulo, assim as dúvidas e materiais ficariam reunidas por assunto, tornando a consulta bem mais intuitiva e prática. Além de também oferecer um espaço para a interação das pessoas, algo que sempre é dificultoso em cursos online. 

O engajamento das pessoas foi imediato. Vários exercícios, dúvidas, dicas e oportunidades foram sendo compartilhados, o que enriqueceu em muito a experiência com o curso.

2) Além de uma década trabalhando com produção de roteiros, você possui mais de seis anos de experiência em gerenciamento de projetos criativos. Como você descreveria esse tempo?

Minha função carregava diversas tarefas de gestão, além da direção artística do núcleo de artes cênicas da unidade e da direção teatral de um grupo composto por pessoas que passavam por toda uma seleção, anualmente. 

Em todas as produções desses núcleos, tanto do grupo, quanto das turmas das oficinas, eu atuava na direção teatral e também assumia a dramaturgia, tendo escrito a grande maioria dos roteiros, quando não orientava um grupo de estudantes de dramaturgia na criação das peças. 

Foi nesse período que mais aprendi sobre uma visão sistêmica dentro de uma grande empresa, assim como foi um período laboratorial, onde pude explorar as várias oportunidades criativas que me eram possíveis.

3) Por que pensou em migrar para a área de games?

Essa questão é o ponto chave de tudo o que está acontecendo! Em maio do ano passado me tornei pai e tinha muitos planos… Mas, assim como milhões de pessoas, sofri o impacto da pandemia. 

O setor cultural foi o primeiro a ser impactado e mais de 70% do orçamento da área foi cortado. Dos 21 teatros que a empresa tinha no estado, restaram cinco – e eu não estava em um desses cinco. 

Eu não queria apenas fazer qualquer trabalho remoto, queria trabalhar com algo do qual gostasse e que pudesse fazer de qualquer lugar… e ao esbarrar em um dos primeiros webinários da Mentorama, uma luz se acendeu: O caminho está nos jogos!

4) Por que você escolheu a Mentorama para estudar Design de Games?

Como mencionei, foi através de um webinar da Mentorama no qual o mentor Arthur Soares falava sobre o papel do game designer. Confesso que naquele momento foi uma escolha difícil, tendo em vista que era um investimento considerável para um curso que acabava de ser criado.

O conteúdo e a proposta da Mentorama foi que me levaram a decidir por ela e não por outras espalhadas pela internet. Hoje, com o curso completo e com todas as propostas da Mentorama implementadas, acredito ter feito a escolha certa. Estou tendo um estudo bem mais verticalizado, aprofundado, do que o que tenho visto em outros espaços e cursos online.

5) Você começou seu próprio negócio como empresário em Arte, Cultura e Tecnologia. Como tem sido essa experiência?

Tem sido um desafio estar dividido entre estudos, trabalho, a criação do meu filho, além de todas as demandas do dia a dia. É em meio a tudo isso, que decidi atuar como pessoa jurídica. 

Tem sido o caminho para oportunizar trabalhos que como autônomo, pessoa física, não seriam possíveis. Quem sabe, num futuro breve, essa iniciativa não possa expandir para um estúdio de games?

6) Como foi sair dos palcos para as telas?

Para mim, foi como um leitor mudar do livro impresso para um e-book. Eu continuo criando. Criando histórias, criando experiências, mas agora essas experiências são digitais e interativas! As possibilidades criativas ampliaram. 

E, outra coisa: será mesmo que foi uma saída dos palcos? Tudo depende de qual palco estamos falando, não é mesmo? Recentemente, minhas colegas do coletivo Ultravioletas encenaram “Ôma, um ex-petáculo” que utiliza uma game engine – RPG Maker – para criar uma experiência cênica digital. 

Em uma das primeiras tarefas do curso Design de Games do Zero ao Pro, criei um protótipo de jogo narrativo a partir do meu primeiro roteiro autoral, criado em 2010. A peça de teatro precisou ser re-trabalhada para que sua transposição para uma Visual Novel pudesse acontecer. 

A narrativa foi revista, reordenada; novos personagens foram criados, novas falas; minha esposa fez um trabalho incrível de arte visual; e – minha parte preferida para a transposição para o jogo – foram criados quatro finais alternativos, para o que, na peça, era um único desfecho.

7) Onde você encontra inspiração para estar constantemente inovando?

Eu consigo recordar uma memória da infância, lá perto dos meus quatro anos de idade, quando meu pai apresentou o que seria meu primeiro jogo digital. Era “River Raid”, num antigo MSX, que acompanhava um livreto com todo o código do jogo para ser “instalado”. 

Eu cresci jogando. Vivenciei todas as gerações de games até então. E sempre me fascinei por jogos com ótimas histórias e também o clássico RPG de mesa, que aprendi a jogar com meus irmão e, depois, ensinei aos colegas na escola. 

Levo isso comigo, inclusive, nas Artes Cênicas: para mim, RPG e teatro têm uma relação muito próxima, sinérgica. Todas essas referências também se cruzam com a literatura, música, cinema, artes visuais, dança e muitas outras linguagens artísticas. São meu combustível, para constante instigar a criatividade.

8) Qual é a sua perspectiva de futuro na área de games?

Eu comecei a estudar game design com um plano bem simples: trabalhar com games de forma remota. Recentemente, depois de seis meses de estudo, consegui meu primeiro trabalho “oficial” com games, começando agora em maio um trabalho de roteiro e narrativa para um estúdio brasileiro. 

Está sendo uma realização! E vejo esse como o primeiro passo, profissionalmente, na área de games. Tenho ótimos recursos para trabalhar como game writer e narrative designer. 

Ainda assim, tenho sonhos de trabalhar em grandes desenvolvedoras internacionais, seja como game designer ou como game producer, funções que tenho muita vontade de trabalhar. 

9) Qual conselho você daria para quem quer ou está migrando de carreira?

Conheça todas as áreas, o mínimo que seja, para perceber entre elas, qual a que você tem mais identificação e mais bagagem para começar a jornada um passo mais à frente do que estava antes. 

Talvez aquelas inúmeras sessões de RPG com os amigos tenham te dado importantes habilidades para trabalhar com game design e você ainda não tenha percebido isso.

10) Quais são suas empresas dos sonhos e por quê? 

Seria incrível trabalhar na Ubisoft Montreal, por exemplo. Mas me sentiria realizado trabalhando em uma empresa que faça jogos com histórias envolventes e de ótima qualidade estética. E há sempre o sonho de ter o próprio estúdio bem sucedido. 

É como artista e obra, que se completam apenas no encontro com o espectador. A obra traz um indício de quem a criou. Assim, me identifico com empresas que criam jogos que causam esse tipo de maravilhamento em mim. Gostaria de, com meu trabalho, proporcionar uma experiência assim para as pessoas através dos jogos.

Foto: Stephanie Cristina Bonome + edição Mentorama.

REDAÇÃO MENTORAMA

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Luiz Antonio Souza
Luiz Antonio Souza
1 mês atrás

Parabéns ao Renato Alves pela sua determinação e superação em meio a tantas dificuldades. Muito sucesso!

Márcio Alves
Márcio Alves
1 mês atrás

Parabéns e que tenha sucesso imenso nessa jornada!