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Cursos online: como estudar na pandemia?

Os cursos online com certificado são a chave do sucesso para profissionais que querem expandir seus conhecimentos sem precisar sair de casa. Continue lendo e saiba mais sobre eles e qual a melhor forma de estudar online!

Leia também: Como vencer a procrastinação?

Cursos online: dicas para estudar em casa

Durante a pandemia, a procura por plataformas que oferecem cursos online obteve um aumento significativo e, apesar de parecer simples, estudar em casa requer alguns cuidados. Confira a seguir quais são eles!

#1 Separe um espaço para estudar

Apesar de muitas pessoas não seguirem essa dica, reservar um espaço exclusivo para os estudos, faz toda a diferença. A definição do que é mais adequado varia de pessoa para pessoa, mas o importante é separar um local que não contenham distrações, como barulhos, excesso de  informações visuais, entre outros.

#2 Certifique-se de que está tudo certo para começar

Pode parecer bobo, mas ter certeza de que toda a parte técnica está em perfeito estado, é fundamental para evitar possíveis erros. Antes de começar suas aulas, certifique-se de que sua conexão está funcionando corretamente e, se possível, evite assistir às aulas conectado no 3G/4G.

#3 Determine um horário 

Assim como o espaço deve ser adequado, o tempo reservado para os estudos também deve ser. Por isso, é essencial que você determine um horário para estudar levando em conta quais horários você está mais disposto e quais não.

Além disso, também é recomendado criar um cronograma, no qual você traçará metas e horários específicos para alcançá-la. Por exemplo: Quero finalizar um módulo em uma semana e para isso, precisarei estudar das 10h às 11h todos os dias.

#4 Fique longe de distrações

Nos dias de hoje, parece até impossível ficar longe das telas, mas esse esforço é essencial para que você consiga manter o foco. Portanto, a dica é colocar o celular no modo avião e desligar a TV ou qualquer outro aparelho que possa te distrair. Lembre-se de que a única tela que deve ficar ligada é a que você está utilizando para assistir às aulas.

#5 Faça anotações

Anotar os principais pontos dados em aula é essencial para que você os memorize e possa estudá-los a fundo em um segundo momento. A principal ideia aqui é anotar, de forma resumida, os principais ensinamentos e possíveis dúvidas que você tenha sobre um determinado assunto.

#6 Tenha cautela com as metas 

Traçar metas é essencial para o seu progresso, exceto se elas forem inatingíveis. Se por acaso, você traçar metas grandes demais para serem cumpridas, isso causará frustração e poderá atrapalhar seu rendimento. Portanto, tenha cuidado ao definir metas e lembre-se de gerenciar suas próprias expectativas.

#7 Tenha em mente os resultados

Por último, mas não menos importante, lembre-se dos resultados que os estudos podem te proporcionar. Apesar de muitas vezes ser cansativo, você deve ter em mente o motivo pelo qual você está estudando para se manter focado e disciplinado.

E aí, gostou das dicas? Para deixar seus estudos ainda mais completos, você pode participar de eventos, tirar as suas dúvidas e trocar experiências com pessoas da área que vão te ajudar a avançar. 

Você sabia que aqui na Mentorama nós temos vários webinars gratuitos sobre tecnologia todos os meses? Isso, mesmo. São gratuitos e abordam diferentes temas das áreas mais promissoras da tecnologia, como UX/UI Design, Programação, Marketing e Games

Além disso, é importante que você esteja em constante atualização para se destacar na concorrência. Como? Conhecendo as novas ferramentas da sua área, estudando com mentores altamente qualificados e tendo o auxílio de uma escola que pode e vai te orientar. 

É isso o que fazemos aqui na Mentorama, e é por isso que somos considerada a escola online das profissões mais procuradas. Nosso objetivo é transformar os seus desafios e dificuldades em solução. Entre em contato conosco agora mesmo e saiba mais!

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Da sala de aula até a defesa do projeto: A jornada dos formandos do curso de UX Design

Toda jornada tem início, meio e fim. A defesa do projeto final é o final da jornada de alguns de nossos alunos com a Mentorama, mas o início de uma nova fase no mercado de trabalho. 

A Mentorama se orgulha em  fazer parte da trajetória de diferentes pessoas que buscam novos horizontes na vida profissional. Para celebrar este momento marcante na vida de todos, conversamos com alguns alunos que nos  contaram mais detalhes sobre os desafios e a emoção de concluir o curso de UX Design. Continue lendo e confira!

O caminho

Rafael Yamanouti, 25 anos, destacou que “A jornada foi repleta de desafios pelo caminho”, e lembrou dos altos e baixos “como uma boa história deve ser!”

Arianne Anabuki, 35 anos, afirmou a importância do aprendizado durante todas as fases do curso e lembrou como o curso e outras atividades foram importantes em seu processo de migração do Marketing para o Design: “Eu venho de um background de marketing e esse foi meu primeiro curso de UX Design. Além do conteúdo online das aulas pré-gravadas, consumi muito conteúdo de webinars da Mentorama, links disponibilizados pela tutoria no Discord e pratiquei com os exercícios dos módulos.”

Segundo ela, o projeto final foi excelente para treinar o desenvolvimento completo dos processos de UX, desde a pesquisa à entrega de protótipo. Arianne também destaca os tutores e mentores, afirmando que “Todos sempre foram muito zelosos com os alunos no canal do Telegram. Receber o feedback dos mentores ao vivo é muito gratificante e importante para o nosso desenvolvimento profissional. As devolutivas dos tutores durante o curso também foram ótimas, com vídeos explicativos dos trabalhos. Adorei toda a experiência!”

Rafael também destacou a importância dos mentores no processo: “Acho que a parte mais legal foi o finzinho, principalmente pelo  projeto final e o desenvolvimento do trabalho de conclusão ter o  auxílio de ótimos mentores, em especial o Gabriel da Duck Design Studio.”

Desafios

Mas como toda boa jornada, o herói tem que enfrentar algumas dificuldades no processo antes de alcançar o grande objetivo. Felipe Barretti, 27 anos, destacou que um dos principais desafios encontrados foi compreender como uma pesquisa resulta em uma solução digital: “Eu tinha bastante receio de fazer UI, mas como UX Designer você não pode fugir disso, e quando eu comecei a transformar as pesquisas em soluções, eu fiquei extremamente satisfeito” completa.

A gestão do tempo é fundamental para conciliar o cotidiano com os estudos. Esse ponto foi lembrado pelo Fabrício Carvalho, 20 anos: “O meu maior desafio foi a gestão do tempo. Mas resolver isso foi bem simples. Os módulos dos cursos são divididos em aulas curtas, mas completas. E isso garantiu que eu conseguisse estudar pelo menos 1 aula por dia.”

Fabrício também ressalta que o tempo de um mês para a realização do projeto final “foi mais que suficiente!”

A história continua

Toda boa saga tem uma continuação, os próximos capítulos em uma nova carreira ainda serão escritos. Mas se depender da Marianna Oliva, os próximos passos serão de constante evolução.  

Aos 27 anos, ela destaca a importância de estar constantemente  atualizada para enfrentar os desafios do mercado de trabalho: “Vou me inserir no mercado, continuar meus estudos na área e aprimorar minhas soft e hard skills. Como a área de tecnologia e experiência do usuário estão sempre em inovação, temos que estar sempre estudando e atentos às tendências de mercado.”

A todos os nossos formandos, o nosso muito obrigado e sucesso! 🚀

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Carreira

“A tecnologia nunca irá mudar se sempre for feita pelas mesmas pessoas”

Karina Tronkos é um fenômeno! Aos 24 anos, ela possui mais de 80 mil seguidores no Instagram e, com projetos inovadores voltados para a educação, venceu as últimas CINCO edições da Worldwide Developers Conference da Apple.

Karina trabalha como product designer no Hurb e é criadora de conteúdo no Nina_Talks, canal criado por ela no Instagram onde compartilha sua jornada no UX Design e tudo que a inspira e empolga no universo da tecnologia.

Conversamos sobre carreira, desafios do cotidiano, inspirações e habilidades para se destacar no UX Deisgn. Confira a entrevista feita com ela!

1. Karina, conta um pouco mais sobre você e como surgiu a sua paixão pelo universo da tecnologia.

É algo que surgiu desde pequena! Meu pai é cientista da computação e ele e a minha mãe trabalharam numa das maiores empresas de tecnologia, a Digital Equipment Corporation (DEC), então eu e o meu irmão sempre estivemos muito imersos nesse universo de tecnologia! 

Computador, videogame e muito mais. Então eu pedi para os meus pais quando eu tinha uns 12 anos para fazer um curso de robótica, eu amava jogar videogame e isso foi essencial para eu querer seguir uma carreira na área. Todo esse apoio dos meus pais e também ter sido apresentada para esse universo. Muitas meninas nem enxergam que elas podem trabalhar com isso, que é algo “masculino”.

2. O que mais te inspira na hora de criar um projeto?

Minha inspiração e a minha criatividade vem de tudo que eu consumo! Eu amo demais estudar, conversar com as pessoas, consumir conteúdos dentro e fora da minha área de atuação. 

Eu estou sempre buscando expandir o meu repertório e olhar tudo à minha volta com um olhar curioso, um olhar questionador. Toda vez que eu paro e penso: “como que isso surgiu? Como foi projetado? Qual a história disso? Que problema isso aqui está tentando resolver? Será que existe uma forma melhor de se resolver isso?” eu fico com a cabeça borbulhando de ideias!

3. O que é imprescindível para que um projeto de UX Design seja aplicado de forma correta?

Empatia, ser apaixonado pelo problema e não pela solução e ouvir as pessoas de coração aberto. 

Muitas pessoas visionam uma solução e vão em busca de informações que reforçam que a solução que elas pensaram inicialmente é a melhor. Mas assim nós estamos invertendo o processo. A gente precisa sempre buscar chegar na raiz do problema, investigar, mapear, projetar, testar e aí então chegar com uma solução. E na grande maioria das vezes sai uma solução completamente diferente da original. Mas porque a gente entendeu de verdade o que precisa ser resolvido.

4. Quais são as tendências para o futuro do UX Design e como você enxerga o mercado da área?

Algo que não é exatamente uma tendência mas que eu acredito muito que é importantíssimo é numa relação muito mais fluida entre o universo físico e o digital, o famoso “phygital”. Nós UX Designers estamos imersos no mundo de produtos digitais, mas os nossos produtos são utilizados por pessoas reais, com mentes e vidas complexas. Então poder estabelecer uma comunicação sem atritos entre esses dois mundos é algo que eu considero importantíssimo.

Outro ponto é do UX Design ir além das telas. De nos ajudarmos mais em tomadas de decisões estratégicas nas empresas, otimizando processos, trazendo eficiência e um mindset focado nas pessoas para outras áreas. Design como abordagem para propostas de novos negócios, novos processos, de solução de problemas.

5. Quais habilidades são indispensáveis para ter sucesso como UX Designer?

Ser curioso, gostar de resolver problemas, saber trabalhar de forma colaborativa e inclusiva, ser um “lifelong learner”. Nós trabalhamos fazendo uma “ponte” entre diversas pessoas e áreas, então é um trabalho muito multidisciplinar e é isso que mais me encanta na área.

6. Na sua opinião, quais são os principais erros cometidos que acabam influenciando de forma negativa na experiência do usuário?

Vou citar dois:

  • Achar que pesquisa com os usuários não é necessário porque “a empresa já conhece o próprio cliente”;
  • Envolver os desenvolvedores apenas no hand-off do design pro desenvolvimento, o que pode tanto gerar retrabalho do ponto de vista de design como também não se ter um produto tão rico porque o desenvolvedor não pode trazer sua visão ao longo do processo de construção da experiência.

7. Como surgiu a ideia de criar o projeto @Nina_Talks?

Surgiu de um problema que eu mesma passei ao buscar conteúdos de UX Design para poder trabalhar na área: a falta de pessoas no início da carreira e mulheres compartilhando aprendizados, suas jornadas e dicas para quem quer entrar na área.

8. Você venceu as últimas CINCO edições da Worldwide Developers Conference (WWDC) da Apple. Qual é a sensação de representar o Brasil em um evento mundial?

É inexplicável a sensação de ter o nosso trabalho reconhecido em competições internacionais! Nós brasileiros temos muito potencial e eu busco servir de inspiração, principalmente para meninas na área tech, mostrando que temos muito a conquistar!

9. A educação foi o tema que você escolheu para os seus aplicativos nas últimas edições da WWDC. Atualmente, o Brasil possui dificuldades nas duas áreas: Segundo o IBGE, 25% da população não tem acesso à internet, enquanto outra pesquisa mostrou que 40% dos brasileiros com mais de 25 anos não têm ensino fundamental completo. Com este cenário, é possível utilizar a tecnologia para democratizar a educação no país?

Na verdade, um levantamento do IBGE de 2019 disse que 82,7% dos domicílios nacionais possuem acesso à internet, um aumento de 3,6 pontos percentuais em relação a 2018. 

Ainda mais a banda larga móvel que passou de 80,2% nos domicílios em 2018 para 81,2% em 2019. Por isso devemos tanto nos preocupar com soluções mobile, porque é onde as pessoas mais têm acessado conteúdo. Então nada mais justo que utilizar um meio extremamente democrático para levar ensino para o máximo de pessoas possível!

10. Atualmente você cursa Ciência da Computação, é Product Designer e comanda o projeto @nina_talks. Quais são os planos para o futuro e como a Karina se enxerga daqui 5 anos?

Meu objetivo é continuar unindo essas minhas três paixões: design, tecnologia e educação em todos os projetos que for tocando.

11. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), no Brasil apenas 20% dos profissionais de TI representam a participação feminina. O que é necessário para superar esse gap?

Certamente não é uma equação simples pois é algo que envolve muitas variantes! Um dos princípios por detrás da pergunta “como podemos ajudar mais mulheres a considerarem uma carreira em tecnologia?” é “como podemos dar a eles as habilidades para que se sintam confiantes para seguir uma carreira em tecnologia?”. E desenvolver essa confiança envolve muitos fatores também.

Outro ponto é a questão da capacitação, pois o número de vagas em tecnologia cresce exponencialmente e faltam profissionais qualificados.

E um terceiro ponto que eu gostaria de levantar é a falta de conhecimento. Acho que muitas pessoas – não apenas meninas – não entendem completamente o que significa trabalhar com computação hoje em dia, o que as pessoas nessas funções fazem no dia-a-dia e o impacto que podem ter sobre a sociedade.

Como você pode escolher uma carreira sem ter contato com pessoas nessas funções? Sem enxergar que é possível uma mulher estar naquele cargo? São muitas barreiras que nós precisamos quebrar.

12. Qual recado você gostaria de passar para outras mulheres que desejam entrar no mundo da tecnologia?

A tecnologia nunca irá mudar se sempre for feita pelas mesmas pessoas. Nós devemos e podemos mudar a realidade do mercado de trabalho, pois nós precisamos de mais diversidade e representatividade. Não apenas de mulheres, mas de outros grupos minoritários que estão sub representados.

O espaço que nós temos hoje na área é devido às mulheres que desbravaram esse universo no passado e nós estamos aqui lutando diariamente para que outras mulheres no futuro tenham muito mais espaço e um ambiente de trabalho muito mais seguro e diverso. Vamos juntas?

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Carreira

“O que você aprendeu será sempre seu e ninguém pode te tirar isso”

Mariana Kobayashi é engenheira na área da energia há cinco anos, mora na França desde 2014 e atualmente é coordenadora de projetos digitais na Total Energies. Confira a entrevista feita com ela!

1. Quando e como surgiu sua paixão pela tecnologia?

Desde pequena sempre gostei das aulas de ciências quando aprendemos sobre as invenções do passado como os primeiros computadores e as revoluções industriais. Essa curiosidade foi crescendo com a idade e principalmente com a chegada da internet a cabo lá em casa. 

Mas o grande “click” veio após uma aula extracurricular de robótica usando legos que tive durante o ensino fundamental, lá pelos meus 13 anos. Nós usamos os legos e uma espécie de arduino da Lego para construir um robozinho que efetuava tarefas que havíamos programado. Lembro de um dos projetos finais que fizemos: um veículo que levantava uma carga e a transportava de um ponto A até um ponto B. 

Essa foi a primeira vez que tive contato com a programação. Achei super interessante e bem prático e assim a curiosidade em aprender mais sobre esse mundo da tecnologia e programação foi nascendo. Além disso, minha mãe trabalhou toda a sua carreira na tecnologia da informação. Ela se formou em matemática, mas desde o início começou trabalhando nas equipes de TI em alguns bancos.

Ai vocês vão me dizer: “Mari, por isso você gosta de tecnologia! Você tinha um exemplo em casa!”. Não foi bem assim. Na verdade lembro de ver a minha mãe super sobrecarregada, fazendo horários de trabalho absurdos, indo trabalhar de final de semana e chegando em casa bem estressada. Isso tudo me marcou bastante e no ensino médio eu decidi que não queria esse tipo de carreira. No vestibular optei então por engenharia química. Em 2012 iniciei minha graduação na Escola Politécnica da USP e mal imaginava onde eu terminaria hoje! Mas fica aí que eu vou te contar!

Aquele velho ditado que diz “O bom filho à casa retorna”, cai como uma luva pra mim! Durante a faculdade de engenharia química minhas matérias preferidas eram iniciação a programação e simulação de processos usando softwares comerciais para engenharia. Para quem não é da área, podemos comparar isso a um início bem simples de digital twin dos processos físicos e químicos da planta.

Durante o terceiro ano de faculdade fui fazer um intercâmbio de duplo diploma em uma universidade na França e o que me fez escolher esse programa foi o enfoque dado pela universidade na computação aplicada na engenharia.

Também durante meus estágios sempre tive curiosidade em descobrir novas ferramentas digitais, ajudando a implementá-las nas empresas que trabalhei, mesmo sendo, ainda nessa época, na área técnica chão de fábrica de engenharia química.

Minha entrada no mundo da tecnologia aconteceu de fato durante meu mestrado na área da energia em 2017. Comecei a trabalhar em um tema de modelagem de processos usando C# e .net. Em seguida fazíamos também otimização de parâmetros desses modelos. Podemos fazer uma analogia com a otimização de hiperparâmetros de modelos de aprendizado de máquina no contexto atual de Data Science.

2. O que te chamou atenção na área de dados a ponto de escolhê-la como profissão?

A possibilidade de resolver problemas concretos e ajudar outras pessoas. Os dados estão por toda parte e podem ser usados para alavancar negócios, otimizar vendas, ajudar na criação de novos produtos, melhorar performance de produção, prever e prevenir desastres, reforçar a segurança de plantas industriais. Poderia ficar horas falando sobre a importância dos dados rsrs.

Percebi tudo isso quando estava lá do outro lado da força, na equipe de engenheiros que necessitavam de ajuda para lidar com seus dados. Ter sentido na pele como soluções digitais, ou seja, novas ferramentas, baseadas em dados nos ajudaram no nosso cotidiano na planta industrial chamou minha atenção para a área de dados e decidi seguir esse caminho após essa primeira experiência.

Refinaria no sul da França que trabalhei entre 2016 e 2017, onde percebi a importância dos dados no meio industrial.

3. Como tem sido a experiência de ser coordenadora de projetos de transformação digital?

Incrível. Diria que foi uma das melhores oportunidades que tive na vida. Gosto muito de poder ter um cotidiano dinâmico e encontrar múltiplos stakeholders. Pois devo coordenar as informações de novos projetos nas áreas de integração, gestão e análise de dados de 10 plantas industriais. 

Assim, quando um engenheiro técnico de uma dessas plantas necessita de uma nova solução eu devo entender e transmitir a sua necessidade às equipes de tecnologia. Esse exercício de tradução entre as áreas técnicas de negócio e de tecnologia me permitiram aprender muito. A gestão entre vários interlocutores me ajudaram a desenvolver ainda mais minhas habilidades de comunicação e socioemocionais.

4. Quando surgiu a ideia de criar o podcast missão 5.0?

O Podcast Missão 5.0 foi criado no início de 2021 com o objetivo de compartilhar conhecimento com outras pessoas que também estão buscando aprender mais sobre tecnologia e dados. Também falo bastante de temas mais abrangentes como os novos métodos de trabalho, gestão de projetos, transformação digital, indústria 4.0, digital twin, IoT, como evitar vieses nos algoritmos, presença feminina nos mercados de tecnologia, industrial e de ciência de dados. 

O que me motiva bastante é ver tantas pessoas como eu, que não se formaram em uma faculdade da área de tecnologia da informação, querendo entrar na área e percebendo como a tecnologia e os dados são essenciais e super presentes nas nossas vidas, tanto pessoal quanto profissional.

Eu acredito que todos nós devemos ser capazes de entender pelo menos um pouquinho sobre esses temas. Os dados estão por toda parte e quem não souber lidar com eles e “ser fluente em dados” como costumamos dizer na empresa que trabalho, pode sim ter desvantagens competitivas no mercado e na sua carreira. Portanto investir em aprender mais sobre tecnologia e dados mesmo não sendo originalmente dessas áreas vale muito a pena! 

Já dizia David Epstein no seu livro “Por que os generalistas vencem em um mundo de especialistas”: “Com a tecnologia transformando o mundo em redes mais vastas de sistemas interconectados nos quais cada indivíduo vê apenas uma pequena parte, também precisamos de pessoas que começam de forma ampla e adotam diversas experiências e perspectivas enquanto progridem. Pessoas com amplitude”.

5. Como você enxerga o mercado de trabalho morando na França?

O mercado de trabalho francês, assim como o europeu, tem uma grande demanda por profissionais da área de tecnologia, como cientistas de dados, Product Manager e Product Owner na área de dados, Data Engineer, Machine Learning Engineer, DevOps e MLOps Engineer, Scrum Master, desenvolvedores, representantes de negócios que entendam do funcionamento de projetos ágeis.

Profissionais T, ou seja, que conhecem um pouco de outras tecnologias e conceitos além de ser especializado na sua área, estão sendo bastante valorizados no mercado. Geralmente são cargos bem pagos e com possibilidade de trabalho remoto. Ainda não é muito comum o trabalho full remote onde a mesma equipe está  em diferentes fuso horários, mas está crescendo cada vez mais.

6. Quais as principais diferenças entre trabalhar no Brasil e na França? 

Acredito que aqui na França as pessoas mantêm uma distância maior entre os colegas de trabalho, são geralmente mais sérias e mais rigorosas. De forma geral, as empresas respeitam mais o equilíbrio de vida pessoal e profissional. Podemos perceber isso já pelo número de dias de férias em um ano, eu por exemplo tenho 40 dias úteis por ano que posso usar de forma esporádica ou duas ou três semanas consecutivas.

Na minha opinião e de acordo com as pessoas que já pude cruzar no trabalho, vejo que os brasileiros têm mais ambição, o que pode resultar em mais trabalho produzido. Assim, num time com o mesmo número de pessoas, o time francês demora mais para entregar a tarefa completa.

Moro há 7 anos na França e algo que sempre gosto de ressaltar é que o ensino superior brasileiro é muito bom! Temos que acreditar mais em nós mesmos. Os estrangeiros nos vêem com muito bons olhos, nos acham inteligentes e trabalhadores. Geralmente gostam de empregar brasileiros. 🙂

7. Qual conselho você daria para quem quer morar fora ou investir em carreira internacional? 

Invista em você, invista no seu conhecimento e aprendizado. Você pode mudar de emprego, mudar de profissão, mas o que você aprendeu será sempre seu e ninguém pode te tirar isso.

Acredito que hoje os profissionais mais valorizados no mercado são aqueles que sabem se adaptar e aprender. Então nunca pare de aprender! Principalmente na área de tecnologia e dados, as diferentes linguagens de programação, métodos de trabalho e stacks de tecnologia mudam muito, mas muito rápido mesmo. Ninguém pode e nem deve saber tudo, então vai com calma e aprenda no seu ritmo, mas acima de tudo, não pare de aprender!

8. Quais são suas perspectivas profissionais para o futuro? 

Frente às grandes mudanças que estão acontecendo no mercado e nos métodos de trabalho eu gostaria de passar a trabalhar full remote. Sonho em poder ser uma Nômade digital em um futuro próximo e poder morar um tempo em cada lugar; poder ir visitar meus pais, meus amigos, parentes, voltar a morar na França, na Bélgica quando bem entender e também em países que nunca morei.

Em 2020 eu fundei uma associação sem fins lucrativos na área da educação de competências socioemocionais. O Sociocate é uma plataforma online de uso gratuito e destinada a pais, educadores e instituições de ensino. Gostaria de poder me dedicar mais a projetos de impacto social.

Além disso, pensando na evolução a curto prazo da minha carreira na ciência de dados, gostaria de continuar me desenvolvendo como manager e ganhando mais responsabilidades, tanto técnicas como de gestão de pessoas.

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Carreira

“Não existe receita de bolo para a carreira perfeita”

Renata Tonezi trabalha com produtos e serviços digitais há mais de quinze anos e atualmente lidera iniciativas que visam mapear insights, torná-los acionáveis e provocar uma cultura de experimentação orientada ao futuro. Confira a entrevista feita com ela!

1. O que brilhou seus olhos na área de pesquisa e forecasting a ponto de escolhê-la como profissão?

Nos anos 2000 já trabalhava como web designer em uma agência. Abri uma pequena empresa, e como webmaster fazia o desenvolvimento completo de sites, o que me abriu portas para trabalhar em grandes empresas, como o Terra Networks (2004), e Editora Abril (2008).

Fui responsável pelo redesign e atualização dos sites das revistas NOVA e CLAUDIA. Nessa época a pesquisa e os processos de design não eram muito valorizados nas empresas. Nesse contexto, a minha relação com a pesquisa teve início. Fazíamos pesquisas em grupo com as leitoras da revista, testes básicos de percepção e de usabilidade, e análise de feedbacks em redes sociais (era o começo deste tipo de interação com as marcas).

Ao longo dos anos fui me envolvendo com pesquisas rápidas ou mais profundas e estudos de campo, com objetivo de chegar no conceito e desenvolvimento de um produto. Ao longo desse processo, me apaixonei pelo universo das metodologias e descobri que amava fazer pesquisa ao mesmo tempo que percebia o valor que esses insights geram para os negócios e para os produtos que estávamos construindo. Aprendi que o que indica se o que você faz tem valor ou não, é por meio de feedbacks de quem realmente importa: as pessoas que usam o seu produto.

Fiz parte da história do início da transformação digital no Itaú (2013), quando foram criadas as primeiras células de desenvolvimento de novos produtos trazendo o conceito de startup para dentro da empresa. Fui a primeira User Research a atuar nesse modelo, onde pude experimentar o poder da filosofia Lean Startup para potencializar o uso do aplicativo Tokpag (fazia uso da tecnologia peer-to-peer para oferecer rápidas transferências entre contatos), do Aplicativo PagContas (permitia aos clientes pagar até 10 contas ao mesmo tempo com facilidade), e de outros produtos digitais.

Participei dos primeiros desenhos dos processos de pesquisa in house e comunidades online para interagir ativamente com os clientes, juntamente com o time de pesquisa do marketing. Tenho muito orgulho de toda essa construção, e que de forma orgânica me abriram caminhos como profissional. Acredito que faz parte do desafio como pesquisador, defender uma cultura de aprendizado contínuo e aprender a tornar sua pesquisa valiosa, ou seja, fazer com que os times com os quais trabalhamos, sintam que a pesquisa é essencial.

Hoje eu enxergo que a pesquisa é um dos caminhos do design para adquirir profundo conhecimento e compreensão da experiência completa do usuário, assim como mostrar caminhos de onde podemos criar mais vantagem competitiva, desempenhando um papel mais estratégico. E esse é um dos caminhos de todo o processo que mais me atrai.

2. Como foi a experiência de trabalhar como professora?

Foi um processo de muito aprendizado e de gratas surpresas. Acredito que ser professor exige preparo, conhecimentos, dedicação e comprometimento de ajudar o outro a se desenvolver. É também necessário criar vínculos e estabelecer uma parceria na qual ambos aprendem e crescem.

A minha carreira foi se moldando em torno dos pilares: (1) cultura de inovação, (2) capacitação em metodologias, e (3) comunicação. De alguma forma sempre me envolvi com esses temas, seja fazendo pesquisa de novas metodologias e abordagens para testar e experimentar, seja realizando treinamentos e capacitando outros profissionais com esses novos métodos, ou por meio da organização de eventos e participação ativa nas comunidades.

Vejo a sala de aula como um ambiente saudável para colaboração, permitindo que as pessoas cometam erros e expressem o que pensam. Além dessa troca, é um espaço de experimentação. Essa construção começa no momento em que entendo quem são os alunos, suas expectativas, momentos de carreira, e com base nesse entendimento, busco adaptar os meus conteúdos e dinâmicas, para cada contexto, tornando os processos iterativos como parte da minha dinâmica de trabalho pessoal.

3. Você trabalha com o digital há mais de 15 anos. Como você descreveria esse tempo?

Uma verdadeira montanha russa, rs… Acredito que parte da maturidade como designer envolve absorver o contexto e se adaptar. No início, meu trabalho envolvia o design gráfico, digital, identidade visual, branding, e com o passar dos anos a atuação passou a ser cada vez mais estratégica. Hoje, atuo no time de estratégia de negócios Omnichannel no Itaú, como especialista em pesquisa e estratégia para produtos e serviços digitais.

Além da mudança do mercado e do contexto, eu fui fazendo escolhas diante dos caminhos que foram surgindo. Fui ajustando a minha rota, me aprimorando, fazendo cursos, treinamentos, e participando de discussões nas comunidades com outros profissionais. Essa troca é sempre muito rica, e sempre me trouxe insights e boas reflexões.

Não existe receita de bolo para a carreira perfeita, e a minha foi e ainda é, cheia de dilemas e questionamentos em relação a evolução da carreira de especialista, e sobre quais caminhos seguir.

4. Como você tem lidado com o processo criativo em meio à pandemia?

Por um lado, o isolamento trouxe para alguns um refúgio favorável ao exercício do pensamento e a proximidade com a família, por outro lado, a privação de ter experiências presenciais que estimulavam a criatividade, foi sentida como uma barreira. Nesse contexto, surgiram ferramentas e novos processos, que trouxeram aspectos positivos e de melhoria para as dinâmicas remotas em grupo, e para a organização e documentação do trabalho. 

Para lidar com os novos desafios, comecei a testar formas diferentes de trabalhar, dedicando tempo para fazer uma coisa de cada vez, incluindo na minha agenda o horário do almoço, do estudo, de me exercitar, entre outras coisas. Estamos aprendendo juntos na prática como se faz o trabalho remoto criativo e como podemos garantir que todos que trabalham conosco consigam também fluir.  

5. Em que momento você decidiu liderar iniciativas que visam mapear insights, torná-los acionáveis e provocar uma cultura de experimentação orientada ao futuro?

Eu gosto me identificar como pesquisadora e investigadora de futuros —  sempre em busca sinais de mudanças e de novos significados. Venho aprimorando meus conhecimentos e trabalhando com conceituação de cenários futuros há alguns anos. Não existe um único curso que te leva a esse caminho, é uma construção em constante evolução. 

De forma mais concreta, em 2018 comecei a liderar uma iniciativa chamada muVUCA, inspirada no mundo *VUCA —  é um acrônimo em inglês *Volatility, Uncertainty, Complexity, Ambiguity, e que busca tentar descrever o ambiente em que vivemos. O desafio envolvia mapear insights e cenários que estavam por vir com uma lente de dez anos, e contribuir com a evolução da estratégia digital dos canais. 

O pensamento e o olhar que busco exercitar é o de manter meu radar ligado, o tempo todo, em busca desses sinais e do novo. Eu não vejo o futuro como algo distante… e sim, como um conjunto amplo de possibilidades, das mais diversas, que podem se desdobrar com surpreendente rapidez. E também como uma estratégia para começar a agir agora, e empreender ações e experimentos em direção aos cenários futuros preferíveis.

Pensem nas mudanças tecnológicas, ambientais e políticas, e que provavelmente vão afetar a sociedade e os negócios. Então a pergunta que podemos nos fazer é, como podemos nos preparar para um mundo diferente, até mesmo inimaginável, que chegará mais rápido do que o planejado?

6. Quais dicas você daria para quem quer  investir na área de pesquisa e forecasting?

Comece por buscar conhecer a empresa onde trabalha e seus valores, entender o mercado, saber quem são seus clientes e quais os seus perfis. Se questione sempre no sentido de pensar em como pode melhorar determinada experiência para quem usa o seu produto. Acompanhe os resultados para entender se as ações realizadas estão dando certo, ou quais questionamentos estão trazendo.

Pesquisar significa obter uma visão ampla do contexto. E esse exercício envolve mapear, observar, escutar e registrar. A dica é: exercite a sua curiosidade, questione o mundo, desafie o estabelecido e esteja aberto para aprender sobre o inesperado, e mudar de direção à medida que se conhece as reais necessidades das pessoas. Busque desenvolver uma visão de diversos contextos, teste ferramentas e analise dados de forma qualitativa e quantitativa.

Pesquisar ajuda a reduzir as incertezas. E a prática de exercitar o olhar orientado ao futuro, não é apenas tentar prever ou identificar o que vai acontecer, mas estar mais preparado para o que pode acontecer, e evitar surpresas desagradáveis que poderiam ter sido antecipadas.

Aprender não é a única forma de aprendizado. Não precisamos ter medo de mudar ou desaprender hábitos ou métodos que não agregam mais. Experimente desaprender e abandonar os paradigmas que o mantêm preso onde você está, e dê espaço ao novo!

7. Quais são suas perspectivas profissionais para o futuro? 

Estamos sentindo uma grande mudança na forma como percebemos o mundo e pensar em mudanças, seja do ponto de vista demográfico, econômico, tecnológico… significa entender quais são os impactos na vida das pessoas, quais são os novos comportamentos que estão surgindo, para então conseguir interpretar e criar pontes para que possamos desenvolver produtos e serviços que sejam benéficos para quem os usa.

A área de pesquisa e ciência do comportamento é um campo de estudo amplo e multidisciplinar, que engloba diversas disciplinas, como a psicologia, antropologia, ciências sociais, cognitivas, de dados… e me vejo nessa constante evolução. 

A busca por novos conhecimentos é a base da nova economia e que devemos ter como mindset, no sentido de evoluir a nossa capacidade de aprender. O futuro do trabalho, não é apenas sobre empregos ou habilidades, mas sim sobre a busca pela nossa própria identidade e também pelo prazer que o trabalho nos proporciona. Tenho buscado evoluir nesse aspecto, como profissional e como ser humano, para encontrar o equilíbrio entre satisfação pessoal, e em formas de contribuir para um mundo mais diverso, humano e sustentável.

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Carreira

“A tecnologia sempre me causou curiosidade”

Melanie Miranda é desenvolvedora front-end, atua há seis anos na área de Tecnologia da Informação e fundou o “Lista das minas”, cujo foco é a inclusão de mulheres na tecnologia. Confira a entrevista feita com ela!

1. Como foi fazer a transição da área administrativa para a de desenvolvimento?

Desde pequena sempre achei fascinante tudo que envolvia computador, mas por conta da falta de recursos, fui para o lado administrativo, mas sempre ficava de olho nas novidades do mundo tech. 

Iniciei minha faculdade (Análise e Desenvolvimento de Sistemas), me formei, porém fui para a área de Suporte e Infraestrutura, no qual também gostava bastante, mas meu sonho mesmo era programar. 

Em 2019, eu já estava com quase 29 anos, fiz a transição de carreira, iniciei um Bootcamp, estudei bastante (E continuo estudando porque quem entra nessa área precisa sempre se atualizar), consegui migrar e estou até hoje me surpreendendo e amando essa área. 

2. O que brilhou seus olhos na área de desenvolvimento a ponto de escolhê-la como profissão?

Não gosto de mesmice e a tecnologia sempre me causou curiosidade. Então esse fato de sempre ter novidades me deixa apaixonada pela área.

3. De onde surgiu a ideia da Lista das Minas?

Quando entrei na área de programação, sempre procurei ajuda de comunidades, principalmente as que ajudam outras mulheres a entrarem em tecnologia. A fim de ajudar a compartilhar conhecimentos, sempre dei talk para o pessoal nos eventos e meetups, e muitas mulheres me perguntavam como poderiam ser acolhidas (Tecnicamente ou até mesmo de soft skills) e eu indicava as comunidades no qual conhecia. 

Com isso, vi a necessidade de centralizar as informações em um site onde elas poderiam consultar a hora que quisessem e ver todas as opções que temos hoje ativas e poder também enviar para outras meninas.

4. Como você descreveria a experiência de atuar em um projeto voltado para a inserção de mulheres na programação?

Agradecida, sempre fui muito acolhida por outras mulheres, sejam elas programadoras ou até mesmo líderes, e via naquilo uma troca positiva para minha carreira, e até mesmo força e admiração. Hoje saber um pouco mais e poder ajudar as que estão iniciando é algo incrível!

5. Como mulher e desenvolvedora front-end, quais os principais desafios que você enfrentou?

Sem dúvidas o ínicio era a Síndrome do Impostor, como disse, precisamos sempre estudar e treinar bastante, e achava que nunca iria ser boa bastante ou até mesmo achava que aquilo (programação) “era para pessoas inteligentes demais” e não era para mim. Lidar com isso e quebrar essa barreira foi a minha maior dificuldade, e eu consegui!

6. Qual foi o projeto mais marcante para a sua trajetória profissional?

Existem alguns no âmbito técnico do meu dia a dia, mas sem dúvidas a Lista das Minas é de longe o que mais sinto orgulho. 

7. Qual conselho você daria para as mulheres que querem seguir carreira na área de desenvolvimento?

Só vão! Não desistam! É difícil, mas é prazeroso. E não pense que é para pessoas “inteligentes”, são para pessoas curiosas e dedicadas. Se você tem esse perfil é bastante força de vontade, não importa a idade, só começam e vamos juntas! 

8. Quais são suas expectativas profissionais para o futuro?

Hoje quero me dedicar para conciliar meus estudos com minha “nova profissão”, que é a de ser mãe. Além disso, quero analisar junto com meus superiores, formas de aprimorar a parte de liderança de equipes ou até mesmo olhar para Produtos (Product Owner). Quero avançar e aproveitar também todos os instantes com meu Augusto.

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“Nós temos em mãos a oportunidade de mudar as coisas que conhecemos para melhor”

Tereza Alux trabalha com UX há quase vinte anos, é Designer de Produto no Mercado Livre e Diretora da Ladies That UX, uma organização global cujo objetivo é melhorar a participação feminina no mercado de tecnologia e experiência. Confira entrevista feita com ela: 

1) Como e quando surgiu seu interesse por UX?

Sempre fui uma pessoa muito curiosa e desde criança me destaco como uma ótima desenhista. Meus brinquedos eram blocos de papel sulfite e lápis de cor. Ostentação pra mim era o kit de 36 cores da faber castell e meu sonho era me tornar ilustradora e desenhista da disney. Com o tempo fui me acostumando com a ideia de que talvez fosse mais viável trabalhar como diretora de arte, ilustradora e designer gráfico em uma editora ou veículo de comunicação. 

Aos 15/16 anos, comecei a me aventurar programando layouts de blogs e pequenos sites e achava muito impressionante digitar uma série de códigos e ele virar uma interface. Essa era uma forma simples e fácil de interagir com as pessoas, além de resolver problemas e de facilitar a vida. E foi aí que eu percebi o que realmente gostava de fazer: construir e projetar produtos e serviços que atendam as necessidades das pessoas e que tornem a vida mais fácil, por meio da tecnologia.

2) Você trabalha com UX há quase vinte anos. Como você descreveria esse tempo?

Nos primeiros oito anos da minha carreira, que foi de 2002 a 2010, minhas principais funções eram web designer e webmaster fazendo parte dos times de comunicação ou TI dentro das empresas, fábricas de software ou atuando como diretora de arte em agências de publicidade, sempre com foco no digital.

Eu recebia os briefings de uma área de atendimento informando a necessidade do cliente, ou eu mesma captava esse briefing do cliente, desenhava a arquitetura, fazia uma prévia do que seria o conteúdo, desenhava a interface, desenvolvia e publicava os sites. Nessa época, o design era voltado para demandas de comunicação, publicidade ou marketing. 

Com o tempo e a mudança de comportamento e consumo, esse escopo foi se adaptando para métodos que priorizam a construção de serviços que resolvem problemas, que tornam a nossa vida mais simples e ajudam as empresas a passar pela transformação digital, ou que se adaptem ao atual cenário. 

3) Quais os principais desafios que você enfrentou ao longo da sua trajetória profissional?

Desde o início da minha trajetória eu lido com coisas que as pessoas não estavam acostumadas a ver e que muitas vezes não entendiam como funcionava ou não viam o potencial que eu via. Ouvi inúmeras vezes frases como “Para que mudar? Nós sempre fizemos assim.”, “Por que você está inventando isso agora?” ou “Isso não vai dar em nada.” para soluções que eu propunha. 

Soluções essas que tinham como base digitalizar e automatizar processos para torná-los mais rápidos, seguros e baratos. Um case bem interessante que lembro até hoje era em uma situação onde eu propus permitir que as pessoas pudessem se inscrever em cursos e eventos da instituição através de um formulário no site, em um cenário onde a inscrição era feita por telefone ou pessoalmente. Eu insisti tanto que me deixaram publicar a solução. As vendas subiram inúmeros por cento e houve uma enxurrada de elogios. Deu pra sentir o constrangimento na cara de quem não acreditou na minha proposta. Não permaneci na empresa, mas provei principalmente para mim mesma que eu executo bem o meu trabalho. 

4) Quais dicas você daria para quem quer iniciar carreira na área de UX?

Estudem mas não se limitam a ferramentas, dinâmicas ou técnicas de UX. Conhecer os métodos é muito importante, mas procurem enxergar além do que está nas aulas e nos livros. Estudem a empresa, o contexto no qual ela está inserida, o produto que ela oferece, o público que ela atende. Estude as pessoas e os seus objetivos, suas angústias, seus problemas, seu potencial. 

Se importe de verdade em resolver problemas. Só assim poderá oferecer soluções próximas (ainda reforço: próximas) ao que elas precisam. Lembre-se do que Henry Ford disse quando lançou seus primeiros automóveis: “Se eu tivesse perguntado às pessoas o que elas queriam, elas teriam me dito ‘cavalos mais rápidos’.” – Enxergue além do que as pessoas dizem.

5) Onde você encontra inspiração para estar constantemente inovando?

Principalmente no desafio. Quando nos deparamos com algo que precisa ser melhorado ou resolvido, é apaixonante pensar nas possibilidades de solução e em como podemos, inclusive, ultrapassar as barreiras e ir muito além, descobrindo que podemos criar coisas novas e inovar. Nós temos em mãos a oportunidade de mudar as coisas como conhecemos para melhor. Minha inspiração também vem de muitas pessoas que admiro, não só designers mas líderes, filósofas, escritoras, engenheiras, desenvolvedoras, historiadoras, médicas e todas as pessoas incríveis que fazem parte da comunidade, compartilhando, apoiando e encorajando outras pessoas.

6) Como surgiu a ideia de criar uma comunidade de UX para mulheres?

Vejam que a minha história é repleta de momentos onde as pessoas não acreditavam em mim. Afinal, eu era uma moça, estudante ou recém formada de um curso que ninguém nem sabia o que era, sugerindo mudanças nas empresas e nos processos que já existiam há anos e afirmando que com aquelas ideias, poderíamos alcançar resultados melhores.

As pessoas costumavam olhar pra mim como se eu fosse doida. Talvez eu seja. Para a minha sorte e para a frustração dessas pessoas, eu acreditava em mim, e pude colocar muitos projetos bons em produção. Talvez eu não acreditasse tanto em mim quanto eu gostaria, mas não posso dizer que não fiz coisas interessantes, mas com certeza teria feito muito mais. E é pensando nessa moça, que estava dando os primeiros passos, ouvindo vários “nãos”, comentários debochados, que eu insisti no desafio de trazer essa comunidade. 

É uma comunidade onde nos permitimos errar, falar sobre os problemas, falar sobre os vacilos, nos ajudarmos e nos apoiarmos. Tem muita coisa boa, muitas pessoas incríveis fazendo parte. Posso dizer que só tem pessoas boas, acolhedoras e positivas? Não. Afinal, é uma comunidade que só no Brasil conta com mais de 30 mil pessoas e como pessoas, estamos em um processo de evolução, sempre em beta contínuo e tendo muito a aprender. 

Mas nós, da organização, nos esforçamos para ser o exemplo da mudança de comportamento e de realidade que gostaríamos de ver no mundo. Temos tido ótimos resultados e espero termos cada vez mais. No entanto, também temos nossas limitações. Entre a rotina intensa de trabalho, estudar, cuidar dos afazeres domésticos, dar atenção a família e amigos, também dedicamos tempo para fazer a nossa parte nesse projeto. Não conseguimos fazer tudo, mas fazemos o possível e de coração.  

Além de claro, estar cansada de ouvir absurdos como “Não existem mulheres talentosas trabalhando com tecnologia.” ou “Prefiro não contratar mulheres porque elas não sabem trabalhar em equipe.” Trouxe essa comunidade também para mostrar que existem sim, muitas mulheres incríveis, fazendo um excelente trabalho, se destacando e ajudando outras pessoas, encorajando e inspirando a seguir pelo mesmo caminho. 

7) As mulheres ainda são minoria na área de Design. Nesse contexto, como tem sido para você comandar um projeto global como a Ladies That UX?

Hoje a questão da participação feminina já está muito mais equilibrada do que quando iniciei os estudos, no entanto, é triste dizer que ainda ganhamos menos para cargos e funções equivalentes ao dos homens e que ainda somos muito pressionadas e assediadas. 

São questões muito maiores do que a comunidade pode alcançar, são questões culturais. Nós temos projetos e iniciativas dedicadas a acolher e apoiar a mudança de comportamento, do contexto social que vivemos, mas é um trabalho artesanal. Gostaria de dizer que estamos tendo um impacto muito positivo nesse sentido, mas infelizmente não está e se está, é a passos curtos. Mas seguimos fazendo o que podemos, dentro das nossas limitações, torcendo para as pessoas encontrem conforto e apoio no nosso trabalho, ou que ele tenha o mínimo de impacto positivo a quem precisa.  

8) Como é a rotina de trabalho como Product Designer no Mercado Livre?

O Mercado Livre é uma empresa com um forte espírito de colaboração e inovação. Os nossos valores podem dar um gostinho de como é trabalhar aqui, que são: “Criamos valor para os nossos usuários”, “Empreendendo assumindo riscos”, “Competimos em Equipe para Ganhar”, “Damos o Máximo e nos Divertimos” e “Estamos em Beta Contínuo” e “Executamos com excelência”. 

Esses princípios incentivam uma cultura empreendedora, acolhedora, amigável e corajosa. Meus colegas são pessoas sempre muito engajadas nos projetos, empolgadas com os desafios e ansiosas para compartilhar conhecimento, trabalhar em equipe para sermos juntos bem sucedidos nas nossas propostas, e entregarmos valor para as pessoas. Estamos juntos encorajando o empreendedorismo em toda a América Latina, ajudando as pessoas a atingirem seu melhor potencial. Tornando sua vida de empreendedor mais fácil. É um orgulho fazer parte do time de UX de uma empresa tão bacana.   

9) Qual conselho você daria para quem quer migrar de profissão e apostar na área de UX?

Estudem muito, leiam muito, não parem de se aprimorar. Design é uma área que não podemos ficar parados, estamos sempre estudando as pessoas e os desafios.  Não pense que a sua bagagem não tem importância, que precisa apagar tudo que já viveu para mudar de profissão. É muito importante que esteja aberto a novas experiências, dinâmicas e pontos de vista, que se mantenha uma pessoa ensinável. Principalmente porque você está aprendendo uma profissão nova para você. Mas não invalide tudo o que você já viveu. Sua bagagem é extremamente importante para criarmos novas soluções. Acredito nisso, e acredite em você. 

10) Quais são suas expectativas profissionais para o futuro?

Espero conseguir melhorar a vida das pessoas, trabalhando com produtos e serviços que façam a diferença e que tornem a vida mais confortável e prazerosa, para que então, elas possam focar nas coisas que são realmente importantes para elas. Quero que elas encontrem apoio no meu trabalho, para que possam alcançar seus objetivos.   

No ambiente de trabalho espero que as pessoas aprendam cada vez mais, a trabalhar em equipe, a serem tolerantes com as diferenças, a serem menos competitivas e a terem respeito umas pelas outras. A competitividade saudável é interessante, mas é muito mais importante a habilidade de trabalhar em grupo. Como diz o poeta John Donne em Meditações VII: “Nenhum homem é uma ilha isolada”, “Se quisermos ir longe, precisamos ir juntos”. Colaboração é um dos ingredientes chave para qualquer tipo de inovação e construção do futuro incrível que todos almejamos e precisamos.

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Dicas para ter sucesso na transição de carreira

A trajetória profissional nem sempre é linear e a cada dia que passa é possível ver mais profissionais de diversas áreas trocando suas áreas de atuação por uma nova carreira, visando a perspectiva de crescimento da vida profissional, além de novos desafios e oportunidades.

Em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, fazer uma transição de carreira pode ser um grande desafio. Se você está passando pelo processo de transição e quer saber qual o primeiro passo para mudar de profissão com êxito, continue lendo e acompanhe dicas exclusivas!

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1) Faça uma autoanálise 

Em um momento delicado como o da transição de carreira, é essencial que você dedique-se ao autoconhecimento para ter clareza quanto às suas habilidades, competências, características, comportamentos e personalidade. 

Além de precisar compreender as exigências do mercado da sua nova área de atuação, é necessário que você reflita sobre suas forças, fraquezas e pontos a melhorar já que a sua mudança de carreira deve estar alinhada com seu propósito de vida e valores.

2) Pesquise sobre o mercado de trabalho

O primeiro passo para ter certeza da transição de carreira é fazer uma avaliação sobre o mercado de trabalho e o cenário econômico como um todo. Nessa hora, é essencial realizar uma pesquisa sobre as vagas disponíveis em sites, além de pesquisar mais sobre a demanda de profissionais para ter um parâmetro completo da área que você pretende atuar.

3) Realize um planejamento

Planejamento é um dos principais passos para você obter sucesso na sua transição de carreira, portanto, esse é um momento que vai exigir muita disciplina, foco e organização da sua parte. Faça um planejamento e separe sua transição em diferentes etapas, separando-as por competências. 

Além disso, para mudar de carreira com tranquilidade, é muito importante que você tenha uma reserva financeira para se certificar de que poderá arcar com os custos dos cursos de especialização, pós-graduação se for o caso ou até mesmo para garantir sua sobrevivência durante esse período.

4) Especialize-se e faça networking

Um fato que você precisa saber é que a transição de carreira é muito mais sobre consistência do que sobre velocidade. Por isso, correr atrás das competências e habilidades que sua nova área de atuação exige é muito importante.

Se a sua nova profissão exige domínio de outra língua, por exemplo, essa é a hora de investir em um curso de idiomas para aprimorar seu conhecimento. Tente organizar a quantidade de tempo e esforço que será necessário para sua capacitação e aprimoramento de conhecimentos, seja por meio de pós-graduação, cursos técnicos, extensão, especialização, etc.

Além de se especializar, fazer conexões com pessoas da mesma área que você é essencial para garantir o seu networking. Uma boa dica para esse momento é conversar com essas pessoas e trocar experiências, compreendendo melhor o cotidiano corporativo e as principais demandas do dia a dia.

5) Não se cobre excessivamente

É fato que, apesar do planejamento bem estabelecido, nem tudo vai sair como previsto. Por isso, tenha convicção sobre a sua decisão, mantenha o foco e saiba lidar com os contratempos. Quanto maior for a sua segurança, mais motivado você estará para continuar se esforçando para alcançar seu objetivo, independentemente das adversidades que possam surgir.

6) Nunca é tarde para recomeçar profissionalmente 

Mudar os rumos da vida profissional é possível para qualquer pessoa, independentemente da idade. Antigamente, uma carreira de sucesso era definida a partir do tempo de experiência do profissional, entretanto, hoje essa concepção é completamente diferente.

Atualmente, o mercado de trabalho valoriza profissionais qualificados, independente do tempo de experiência que ele possui. Portanto, nunca é tarde para recomeçar profissionalmente e a sua idade não deve ser fator impeditivo para isso.

Hoje em dia, um profissional de 50 anos pode estar no auge da sua capacidade e utilizar seus conhecimentos e tempo de experiência para “encurtar” caminhos na nova carreira escolhida. 

Ao identificar competências adquiridas ao longo do tempo, o profissional pode utilizá-las a seu favor e avançar na transição de carreira muito mais rápido do que uma pessoa com pouca idade.

7) Conte com a Mentorama

Ter uma rede de apoio é muito vantajoso e vai muito além de apenas fazer networking ou ter referências. Participar de eventos, começar um novo curso, tirar as suas dúvidas e trocar experiências te ajuda a avançar. 

Você sabia que aqui na Mentorama nós temos vários webinars gratuitos sobre tecnologia todos os meses? Isso, mesmo. São gratuitos e abordam diferentes temas das áreas mais promissoras da tecnologia, como UX/UI Design, Programação, Games e Marketing

Além disso, é importante que você esteja em constante atualização para se destacar na concorrência. Como? Conhecendo as novas ferramentas da sua área, estudando com mentores altamente qualificados e tendo o auxílio de uma escola que pode e vai te orientar. 

É isso o que fazemos aqui na Mentorama, e é por isso que somos considerada a escola online das profissões mais procuradas. Se desejar dar uma olhadinha em quais cursos temos na nossa grade, clique aqui e venha fazer parte do nosso time!

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Carreira

“Migrar para a área de desenvolvimento significa investir num futuro melhor para si”

Danilo Vitoriano tem 40 anos, é professor, comunicólogo, desenvolvedor de sistemas e sócio do Front In Sampa, o maior evento de desenvolvimento de front-end do Brasil! Ele acredita que nunca é tarde para mudar de carreira já que aos 35 anos decidiu cursar sistemas de informação e aos 39 anos iniciou um mestrado em ciências da computação na USP. Confira a entrevista feita com ele:

1) O que te fascinou na área de desenvolvimento a ponto de escolhê-la como profissão?

A oportunidade de criar e construir. Desde pequeno sempre tentei usar a criatividade para inventar meus brinquedos e brincadeiras. Vi na criação de sites e programação de softwares a oportunidade de exercer esta criatividade de construir coisas que tivessem propósito.

2) Em que momento você decidiu se tornar professor?

A primeira lembrança que tenho como professor foi aos 20 e poucos anos. Na época eu vivia como freelancer, e um cliente me indicou para dar aulas aos professores de um colégio espanhol em São Paulo. Eu já dominava o Photoshop, Flash e DreamWeaver, mas não sabia muito de espanhol. 

No final, consegui ensiná-los, e recebi até uma carta de agradecimento escrita por eles mesmos. De lá pra cá dei aulas em graduação, cursos técnicos, mas estava afastado de aulas há um tempo. 

Até que em 2018 vi que eu precisava compartilhar o que eu sabia, e resolvi investir em um mestrado, e esperava que até o fim  do curso estaria apto a assumir novas aulas em uma pós-graduação. As aulas apareceram antes mesmo de eu conseguir passar pra fazer o mestrado, e agora além de professor, voltei a ser aluno, e eu adoro.

3) Quais dicas você daria para quem quer iniciar carreira na área de desenvolvimento?

Primeiro pergunte se você gosta de estudar. Você vai precisar dedicar horas lendo livros, apostilas, assistindo vídeos e fazendo exercícios. Se você acredita que em pouco tempo vai ter sucesso, é possível sim, mas não é tão fácil. Eu demorei anos para ocupar alguns espaços, mas sobrevivi e hoje sinto que tudo valeu a pena, mas demorou pra acontecer. 

Muita coisa ajudou a me desenvolver na área, mas a mais importante foi saber inglês. Brilhante foi a ideia de minha mãe ao pagar um curso de inglês particular aos 12 anos. Até hoje aprendo inglês (tenho 40 anos), mas se não fosse aquele curso, ou os livros que ela me comprava, teria sido muito mais limitado o alcance do meu aprendizado, seja no desenvolvimento, na tecnologia ou nos negócios.

4) Na sua perspectiva, quais as principais habilidades que atualmente as empresas valorizam em profissionais dessa área?

Em geral, as empresas contratam por alguma necessidade técnica. Vão te aplicar provas, testes e fazer uma ou mais entrevistas para ver o seu match com a cultura da empresa e se você sabe mesmo aquilo que diz saber. 

Organizações que vão além disto estão à procura de pessoas com facilidade em se comunicar, aprender e ensinar, mais do que necessariamente saber a linguagem X ou o software Y. Entrevistadoras valorizam se você acompanha eventos, participa de workshops, contribui com algum projeto open-source ou até se é voluntária em alguma ação. 

A cada dia, mais empresas investem em universidades, cursos e treinamentos exclusivos para quem é sua funcionária, deixando bem claro que é mais fácil e barato treinarem pessoas do que contratar gente cheia de habilidades técnicas, mas com pouca iniciativa e empatia pelos demais. O termo soft-skill, que define estas habilidades mais emocionais, atualmente, é tão ou mais valorizado do que as habilidades técnicas.

5) Onde você encontra inspiração para estar constantemente inovando?

São tantas coisas! As pessoas me inspiram muito, sejam elas alunas, professoras, artistas ou criadoras de conteúdo. Sempre fico ligado no que é tendência, e isso vai desde o funk, a balada do momento, a trend do TikTok ou os ídolos do reality show que viralizaram. 

Não gosto de fechar a porta pra nada, e o que me oferecem eu experimento, e tento entender como aquilo tornou-se popular. Acho que esta é a atitude mais importante quando se quer inovar: não tenha preconceito com nada! Atualmente, minha maior inspiração vem das redes sociais. 

Eu adoro conhecer novos talentos, pessoas que estão criando conteúdo de uma forma diferente, ou que promovem alguma ação de transformação social, ou ainda, que desenvolvem produtos e empresas inovadoras, relevantes e com propósito. Antes da pandemia, eu gostava muito de viajar, conhecer novas culturas, museus, parques, galerias. Tudo que reúne repertório na nossa jornada da vida aumenta sua bagagem e te dá mais ferramentas para inovar.

6) De onde surgiu a ideia do Front In Sampa?

Há 10 anos, duas desenvolvedoras de São Paulo sentiram falta de um lugar para falar de tecnologias front end. Então pensaram: “e se fechássemos uma balada na famosa Rua Augusta, em um sábado durante o dia, já que a maioria fica fechada? Colocaríamos umas cadeiras e convidariam pessoas da área para palestrar… Quem sabe alguém aparece?” E assim nasceu o Front In Sampa (FSP), que cresceu com a comunidade, lotou grandes teatros e agora em 2021 vai reunir toda a Internet para comemorar seus 10 anos de história. Um evento da comunidade, sustentável, diverso, inclusivo e feito para conectar pessoas com muito amor e carinho. 

7) Como você descreveria a experiência de trabalhar no Front In Sampa? 

Eu era apenas um frequentador do evento, mas por sempre estar envolvido com a comunidade, me oferecia voluntariamente para ajudar ou divulgar. De tanto me envolver com a comunidade e com o evento, passei a produzi-lo junto da Keit Oliveira em 2018, e hoje somos sócios. 

O propósito continua o mesmo: levar conteúdo de qualidade e fortalecer a comunidade front end no Brasil, mas não é nada fácil. Keit e eu temos nossos trabalhos como desenvolvedores, e promovemos o Front In Sampa como uma paixão e um gesto de gratidão por tudo que a comunidade nos ofereceu. 

Sabemos que quando as pessoas vêm a um evento como o FSP, sua vida pode ser impactada por ideias inovadoras e um network valioso, o que muda sua relação com a comunidade e com seu trabalho pro resto da vida. Foi assim que aconteceu comigo, com a Keit e com milhares de outras devs. 

E é por isso que a gente continua fazendo isso, porque se vocês imaginarem o trabalho que dá botar um evento de pé para centenas de pessoas, lidando com patrocinadores, palestrantes, venda de ingresso e uma dezena de outras coisas envolvidas, acho que pouca gente encararia este desafio. Tem que amar muito!

8) Quais são suas perspectivas de futuro para o Front In Sampa? 

Chegamos aos 10 anos de evento! Isso é incrível! Há 10 anos atrás eu nem sabia que existia a palavra front end. Hoje, mais de 50 empresas patrocinaram o FSP, temos 14.000 pessoas nas redes sociais e mais de 7.000 já acompanharam nossas edições. 

Estamos com parcerias incríveis este ano, e temos planos de expandir nosso conteúdo através de parcerias com plataformas educacionais, outras comunidades e criadores de conteúdo. Quando a pandemia passar, voltaremos com as edições presenciais e temos planos de percorrer o Brasil com eventos regionais e até sobre outros temas além do front end.

9) Qual conselho você daria para quem quer migrar de profissão e apostar na área de desenvolvimento? 

Muita gente vê na tecnologia, e principalmente na área de desenvolvimento, uma opção para ter uma carreira estável, bons salários e oportunidades quase infindáveis. Em um momento onde muitos empregos sumiram, fazer uma transição de carreira para uma área como o desenvolvimento web e de aplicações é investir num futuro melhor para si e até como sociedade. 

Milhares de progressos podem ser feitos através da tecnologia, que hoje permeia quase todas as nossas relações, e a área de desenvolvimento acaba atraindo muita gente pela variedade de conteúdo disponível e pelas milhares de vagas abertas. Além do que, na minha opinião, fazer sites e aplicativos é muito divertido! 

Quando as pessoas aprendem pela primeira vez algumas linhas de HTML, CSS ou JavaScript, é como se um portal se abrisse e você tem vontade de aprender mais para criar ainda mais. Alguns lugares já ensinam programação desde a infância, visto que é uma habilidade atualmente tão importante quanto ler, escrever ou criar algo artístico. 

Ah! E mais um detalhe: não tem idade pra fazer esta transição! Eu me formei em Propaganda e me especializei em Planejamento e Cinema! Só aos 35 anos resolvi cursar uma faculdade de sistemas de informação e aos 39 anos entrei em um mestrado de ciências da computação na USP. Imagina se eu tivesse colocado a idade como barreira para fazer uma transição de carreira? Eu estaria lascado! XD

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“Ao assistir um webinar, uma luz se acendeu: O caminho está nos jogos!”

Renato Alves, 32 anos, é artista cênico, possui mais de seis anos de experiência em gestão de equipes criativas e recentemente decidiu mudar de carreira e investir na área de games, saindo dos palcos para as telas. Ele iniciou o curso “Design de Games do Zero ao PRO” conosco e após perceber que a comunicação nessa área seria mais eficiente no Discord, resolveu criar um servidor exclusivo para alunos e foi surpreendido com a repercussão mais do que positiva! Confira a entrevista feita com ele:

1) Em que momento surgiu a ideia de criar um bate-papo no Discord e como você se sentiu com a repercussão positiva?

Eu comecei o curso de Design de Games bem no seu início, quando tinha apenas a primeira aula disponível e usávamos o espaço de discussões da própria plataforma das videoaulas.

Em pouco tempo, percebi que as dúvidas e materiais de referência que os professores enviavam se misturavam e com a entrada de novos alunos ficaria cada vez mais difícil acompanhar as questões de cada módulo.

Foi nessa dificuldade que o Discord se mostrou uma ferramenta excelente para ampliar também o engajamento das pessoas entre si. Criei o servidor e contei com a ajuda do Lucas Sassanovicz para as primeiras organizações dos canais. 

Ao criar o servidor de alunos, separei um canal para cada módulo, assim as dúvidas e materiais ficariam reunidas por assunto, tornando a consulta bem mais intuitiva e prática. Além de também oferecer um espaço para a interação das pessoas, algo que sempre é dificultoso em cursos online. 

O engajamento das pessoas foi imediato. Vários exercícios, dúvidas, dicas e oportunidades foram sendo compartilhados, o que enriqueceu em muito a experiência com o curso.

2) Além de uma década trabalhando com produção de roteiros, você possui mais de seis anos de experiência em gerenciamento de projetos criativos. Como você descreveria esse tempo?

Minha função carregava diversas tarefas de gestão, além da direção artística do núcleo de artes cênicas da unidade e da direção teatral de um grupo composto por pessoas que passavam por toda uma seleção, anualmente. 

Em todas as produções desses núcleos, tanto do grupo, quanto das turmas das oficinas, eu atuava na direção teatral e também assumia a dramaturgia, tendo escrito a grande maioria dos roteiros, quando não orientava um grupo de estudantes de dramaturgia na criação das peças. 

Foi nesse período que mais aprendi sobre uma visão sistêmica dentro de uma grande empresa, assim como foi um período laboratorial, onde pude explorar as várias oportunidades criativas que me eram possíveis.

3) Por que pensou em migrar para a área de games?

Essa questão é o ponto chave de tudo o que está acontecendo! Em maio do ano passado me tornei pai e tinha muitos planos… Mas, assim como milhões de pessoas, sofri o impacto da pandemia. 

O setor cultural foi o primeiro a ser impactado e mais de 70% do orçamento da área foi cortado. Dos 21 teatros que a empresa tinha no estado, restaram cinco – e eu não estava em um desses cinco. 

Eu não queria apenas fazer qualquer trabalho remoto, queria trabalhar com algo do qual gostasse e que pudesse fazer de qualquer lugar… e ao esbarrar em um dos primeiros webinários da Mentorama, uma luz se acendeu: O caminho está nos jogos!

4) Por que você escolheu a Mentorama para estudar Design de Games?

Como mencionei, foi através de um webinar da Mentorama no qual o mentor Arthur Soares falava sobre o papel do game designer. Confesso que naquele momento foi uma escolha difícil, tendo em vista que era um investimento considerável para um curso que acabava de ser criado.

O conteúdo e a proposta da Mentorama foi que me levaram a decidir por ela e não por outras espalhadas pela internet. Hoje, com o curso completo e com todas as propostas da Mentorama implementadas, acredito ter feito a escolha certa. Estou tendo um estudo bem mais verticalizado, aprofundado, do que o que tenho visto em outros espaços e cursos online.

5) Você começou seu próprio negócio como empresário em Arte, Cultura e Tecnologia. Como tem sido essa experiência?

Tem sido um desafio estar dividido entre estudos, trabalho, a criação do meu filho, além de todas as demandas do dia a dia. É em meio a tudo isso, que decidi atuar como pessoa jurídica. 

Tem sido o caminho para oportunizar trabalhos que como autônomo, pessoa física, não seriam possíveis. Quem sabe, num futuro breve, essa iniciativa não possa expandir para um estúdio de games?

6) Como foi sair dos palcos para as telas?

Para mim, foi como um leitor mudar do livro impresso para um e-book. Eu continuo criando. Criando histórias, criando experiências, mas agora essas experiências são digitais e interativas! As possibilidades criativas ampliaram. 

E, outra coisa: será mesmo que foi uma saída dos palcos? Tudo depende de qual palco estamos falando, não é mesmo? Recentemente, minhas colegas do coletivo Ultravioletas encenaram “Ôma, um ex-petáculo” que utiliza uma game engine – RPG Maker – para criar uma experiência cênica digital. 

Em uma das primeiras tarefas do curso Design de Games do Zero ao Pro, criei um protótipo de jogo narrativo a partir do meu primeiro roteiro autoral, criado em 2010. A peça de teatro precisou ser re-trabalhada para que sua transposição para uma Visual Novel pudesse acontecer. 

A narrativa foi revista, reordenada; novos personagens foram criados, novas falas; minha esposa fez um trabalho incrível de arte visual; e – minha parte preferida para a transposição para o jogo – foram criados quatro finais alternativos, para o que, na peça, era um único desfecho.

7) Onde você encontra inspiração para estar constantemente inovando?

Eu consigo recordar uma memória da infância, lá perto dos meus quatro anos de idade, quando meu pai apresentou o que seria meu primeiro jogo digital. Era “River Raid”, num antigo MSX, que acompanhava um livreto com todo o código do jogo para ser “instalado”. 

Eu cresci jogando. Vivenciei todas as gerações de games até então. E sempre me fascinei por jogos com ótimas histórias e também o clássico RPG de mesa, que aprendi a jogar com meus irmão e, depois, ensinei aos colegas na escola. 

Levo isso comigo, inclusive, nas Artes Cênicas: para mim, RPG e teatro têm uma relação muito próxima, sinérgica. Todas essas referências também se cruzam com a literatura, música, cinema, artes visuais, dança e muitas outras linguagens artísticas. São meu combustível, para constante instigar a criatividade.

8) Qual é a sua perspectiva de futuro na área de games?

Eu comecei a estudar game design com um plano bem simples: trabalhar com games de forma remota. Recentemente, depois de seis meses de estudo, consegui meu primeiro trabalho “oficial” com games, começando agora em maio um trabalho de roteiro e narrativa para um estúdio brasileiro. 

Está sendo uma realização! E vejo esse como o primeiro passo, profissionalmente, na área de games. Tenho ótimos recursos para trabalhar como game writer e narrative designer. 

Ainda assim, tenho sonhos de trabalhar em grandes desenvolvedoras internacionais, seja como game designer ou como game producer, funções que tenho muita vontade de trabalhar. 

9) Qual conselho você daria para quem quer ou está migrando de carreira?

Conheça todas as áreas, o mínimo que seja, para perceber entre elas, qual a que você tem mais identificação e mais bagagem para começar a jornada um passo mais à frente do que estava antes. 

Talvez aquelas inúmeras sessões de RPG com os amigos tenham te dado importantes habilidades para trabalhar com game design e você ainda não tenha percebido isso.

10) Quais são suas empresas dos sonhos e por quê? 

Seria incrível trabalhar na Ubisoft Montreal, por exemplo. Mas me sentiria realizado trabalhando em uma empresa que faça jogos com histórias envolventes e de ótima qualidade estética. E há sempre o sonho de ter o próprio estúdio bem sucedido. 

É como artista e obra, que se completam apenas no encontro com o espectador. A obra traz um indício de quem a criou. Assim, me identifico com empresas que criam jogos que causam esse tipo de maravilhamento em mim. Gostaria de, com meu trabalho, proporcionar uma experiência assim para as pessoas através dos jogos.

Foto: Stephanie Cristina Bonome + edição Mentorama.